É doentio pensar nisso; é doentio fazer coisas desse tipo. Estou doente - e pior - estou viciada nessa doença.

O metal afiado, um pouco oxidado, dilacerando minha pele, camada por camada, até chegar em um ponto que o sangue começa a escorrer. Não dói, pelo menos não por enquanto; arde. Mas não é um ardor que me impede de continuar, é um ardor de sentir o metal contra a pele, de sentir a fragilidade das coisas. Vou esculpindo traços vermelhos pelo corpo, me distraindo, pensando na vida. Até que chego ao ponto crítico do que me levou a fazer isso, o ápice do meu desespero que me faz refugiar para o meu vício. Os traços se tornam menos sensíveis, não vejo mais camada por camada se partindo ao toque da lâmina, agora, como rasgar uma folha de papel a pele mal resiste a tensão do metal, já se rompe e o sangue volta a escorrer, mais depressa, mais rubro, em maior quantidade. O cheiro peculiar começa a chegar em meu nariz, cheiro de ferro. O pequeno caminho traçado pelo sangue me acalma, mas não se acalma, continua fluindo. Uma leve dor logo substituída por endorfina liberada pelo cerebro toma o lugar da dor física, e da emocional idem. Por um momento tudo está em paz, consigo respirar tranquilamente e consigo pensar.

Deito em minha cama ao final do dia, volto a pensar. O desespero vem, junto com a culpa. Volto a me martirizar, a me culpar. As lágrimas teimam em escorrer sem cessar. Meu rosto afogado no travesseiro se esconde por remorso, culpa. Os cortes tomam vida e resolvem me lembrar de quantos são, de suas profundidades. Começam a arder, começam a doer. Em minha cabeça escuto vozes gritando o quão fraca eu sou. Sou vencida pelo cansaço, durmo um sono perturbado, despreparada para reviver tudo novamente no dia seguinte.

Sim, sou fraca, mas ainda estou lutando. Não ganho sempre, quase nunca. Mas ainda acho forças para continuar lutando, quem sabe um dia essas vozes cansem de me lembrar da minha incapacidade e me deixam viver em paz, talvez nunca feliz, mas pelo menos em paz.

“It never hurts until the next day”

Havia também esquecido o quão bom é escrever após uma boa leitura, lembrar como expor os sentimentos em forma de palavras, conseguir canalizar a dor, a alegria, a tristeza, o que quer que seja em textos, que mesmo desconhecidos pelos outros nos fazem organizar nossa cabeça de tal forma que todo aquele emaranhado de acontecimentos que perturbavam o sono se esvai trazendo em seu lugar uma calmaria um pouco triste, uma tristeza nostalgica. Aquele mesmo sentimento de quando se acaba um livro, um sentimento ruim e bom ao mesmo tempo.

tinha esquecido o como era bom terminar um bom livro em que se se identifica com uma personagem e junto com a estória você se vê concluindo a sua própria, que antes estava estagnada pelo simples medo de já saber como iria terminar e quisesse adiar ao máximo tal final.

Aqueles monstros que vivem dentro de mim resolveram acordar, todos de uma vez. Cansei de tentar ser forte, desistir seria tão mais fácil, só me deixar levar… É, acho que cansei de resistir, estou exausta de tentar.

A pessoa te faz passar o dia chorando, chorando sem parar, e depois ainda tem a coragem de dizer que não gosta de me ver assim. Graças a Deus eu tenho as melhores amigas do mundo, graças a Deus eu tenho em quem me apoiar, e graças a Deus ela voltou a me abraçar. Foi isso que me fez aguentar todo esse dia, foi isso que me segurou depois de mais uma das tantas brigas que cada dia se tornam mais frequentes.

Acordei assustada de um sonho que sei que brevemente se tornará real. Um sonho que me fez pensar sobre muita coisa.

“Mãe, preciso falar com você. É sério.”
“Falar o que?”
Ela para de prestar atenção na tela do computador e se vira para mim. Eu sento na outra cadeira, e encaro ela. Sinto aquela sensação que sempre sinto quando estou prestes a contar para minha mãe algo que não terá volta, que não terá como ser retirado depois.
“Então, eu preciso de contar uma coisa a meu respeito. Eu já sabia disso, há muito tempo para falar a verdade, mas eu sempre quis negar isso. O Gustavo foi um meio de me fazer acreditar que eu poderia mudar, que não precisaria ser assim. Mas depois dele eu tive mais certeza do que eu sou. E agora eu ME aceito como sou. Não quero que você apóie, nem nada, só estou pedindo para que respeite.”
“Do que você está falando?”
Sua voz estava tremula, já sabia do que se tratava, mas queria que eu dissesse com todas as palavras, ela, assim como eu antes, não estava querendo acreditar.
“Mãe, eu gosto de garotas.” 

Um whisky com gelo, ou um café. E um cigarro. Para queimar essa dor que teima em aparecer.
As vezes eu penso em deixar essa minha outra personalidade tomar conta das minhas ações, talvez eu me machucasse mesmo, me amasse mais e não sofresse tanto. Mas de que valeria?
Uma vida inteira assim não vale a pena, mas nesse momento eu estava precisando muito de cinco minutos sem me preocupar em estar bem, cinco minutos para tomar alguma coisa que me esquente por dentro, para fumar um cigarro sem pressa de acabar. Cinco minutos para deixar as lágrimas rolarem.
Apenas sentar na varanda, e curtir aqueles cinco minutos.
Cinco minutos, é só isso que peço.
Para me recompor, para me refazer.

Tem gente que quando fica triste, fica quieto. Tem gente que faz esporte quando fica triste, tem gente que chora, tem gente que grita, tem gente quando fica triste dorme, tem gente que come. Tem gente que escuta música, dança, bebe, sai. Cada um demonstra sua tristeza de algum modo, mas sempre demonstra.

Mas tem gente que quando fica triste, se machuca.

Eu sei que não somos mais nada e tudo mais, nem amigos vamos conseguir ser, mas tudo bem. Só queria te dizer o motivo da gente não ter dado certo, sabe? A gente não deu certo porque faltou coisa, porque um relacionamento é uma estrada de duas mãos. Amor só é amor quando se é dado e recebido.

Faltou tudo isso que você faz com as outras, faltou fotos nossas no seu facebook, faltou mudar o status para “em um relacionamento”, faltou uma aliança, ou algo representativo como isso. Faltou mensagens carinhosas, faltou compreensão nos piores momentos. Deixamos de nos entregar um para o outro porque estávamos cansados, nossos dias eram estressantes e etc e tal, sem saber que o outro deveria ser a cura desse estresse.

Para o nosso relacionamento dar certo faltou dias sem sexo, dias só de amor, dias só de amigos, dias só de risadas. Faltou surpresas, faltou espontaniedade, e faltou o inesperado. Faltou confiança, faltou companheirismo, faltou o andar juntos, crescer juntos. Nós queríamos crescer, mas de uma forma egocentrica, crescer sozinho, mostrar que podemos sem a ajuda de ninguém. Mas a ideia não é conseguir ou não sozinho e sim não querer sozinho.

Eu juro, de coração, que dessa vez eu quero que você faça certo, caminhe certo, faça as escolhas certas e seja escandalosamente feliz. Porque do meu jeito, meio enrolado, complicado e diferente eu estou feliz, mais do que nunca, eu arriscaria dizer. E te ver com alguém me faz pensar que você também pode. E que você também irá.

eu só queria que você compreendesse que nem eu sei o que se passa comigo, eu não sei mais o que sou, como sou e nem quem sou. e acredite essa é a pior situação em que alguém pode se encontrar, perdido de tudo, de todos, sem saber o que pensar ou o que fazer… o que me atraia antes, não me atrai mais, não com a mesma frequência, o que já me atraia antes, me atrai mais ainda agora.

então me diga, o que você quer ouvir? que eu não te amo mais, que eu estou gostando de outra pessoa, de uma garota e que não tenho mais espaço para você na minha vida como você quer que eu tenha? desculpa, mas me manter calada é a melhor solução, pensando no seu próprio bem, no nosso próprio bem.

porque eu realmente acredito na possibilidade de ainda sermos amigos, mas só amigos. mas nem isso você tem merecido, portanto, não estou mais me importando com os sentimentos de ninguém, e quero mais é que você seja MUITO feliz, mas de preferencia BEM longe de mim. porque se tem algo que eu aprendi nessa vida é a jogar fora aquilo que não presta mais, a deixar para trás aquilo que já se tornou passado.